O perfil do gestor de riscos: Mais que desafios, oportunidades

  • O perfil do gestor de riscos: Mais que desafios, oportunidades

    O perfil do gestor de riscos: Mais que desafios, oportunidades

    * Sérgio Luiz Hoeflich

    Em um ambiente com taxas altas de desemprego que rondam 2017, 14% da população brasileira, a demanda por profissionais especializados, em determinadas áreas de conhecimento, surge como oportunidade. Os profissionais mais qualificados estão inseguros devido a instabilidade econômica do mercado por serem os mais bem remunerados. No artigo sobre as Profissões que estarão em alta em 2018 destacam-se os analistas ou, nomeadamente “cientistas de dados” que avaliam soluções e processos em distintas áreas (logística, negócios, marketing etc). Outros perfis que se evidenciam são os profissionais que “elaboram modelos quantitativos e simulam situações reais ou hipotéticas” e “os responsáveis por monitorar e controlar as atividades financeiras das empresas’.
    Se fossem conhecidas as classificações das ocupações brasileiras como o CBO 142110 Gerente de Riscos estes profissionais não seriam reconhecidos como “instaladores de cintos de segurança”. Mesmo sendo os técnicos em instalações de equipamentos automotivos, são importantes contribuintes para a segurança e gestão de riscos de veículos, conforme detalha o artigo que destaca: “Um cinto de segurança para as empresas: “Cada vez mais companhias contratam profissionais especializados em identificar os riscos que pairam sobre sua atividade”.

    A demanda por profissionais qualificados coloca outro desafio quando são reunidos nos comitês de gestão de riscos. A ausência de sintonia dos profissionais de diferentes áreas deixa a organização exposta pelo fato de não estarem definidos padrões que devem ser seguidos por todos. O artigo “A importância da Gestão de riscos nas organizações” explica os desafios culturais e as etapas da gestão dos riscos.
    O estudo do risco inicialmente se relacionava com o entendimento da fortuna, sorte e oportunidade nas apostas nos jogos, relacionada com a oportunidade de ganhos. Conceitualmente, as perdas eram consideradas um efeito colateral do risco.
    Se as organizações, num primeiro momento, buscam o perfil profissional de seus gestores de riscos no campo da conformidade (compliance), de segurança do trabalho, física e patrimonial, prevenção de perdas e acidentes, seguem alinhadas com a percepção ou apetite aos riscos no sentido de avaliar prospectivamente os seus negócios. Ainda numa fase de busca de garantias para o seu empreendimento estão as organizações que adotam apenas códigos de conduta e ética, que são fundamentais para que as decisões em todos os âmbitos de uma empresa sigam os critérios pré-estabelecidos por ela.
    Dos profissionais de governança (due dilligence) se espera também um perfil de liderança para implantar os procedimentos e garantir a disseminação da cultura de controle e conformidade adotada pela empresa.
    Para o gestor de risco, a cerificação de acordo com a norma ISO 31000 é um instrumento básico e serve como um padrão mínimo, dando significado e importância a determinado risco. Esta norma serve como uma orientação para as pessoas e empresas que desejam aprender os conceitos fundamentais da gestão de risco. (Assista ao vídeo sobre aspectos fundamentais da gestão de riscos)

    O emprego da norma ISO dentro das organizações visa estar certificado para ter uma declaração pública de que se está dentro de uma regra processual, se está conforme, ou compliance.
    Com um perfil de maior apetite aos riscos, as organizações buscam profissionais especializados em análises destes riscos, cujos efeitos se manifestarão no futuro. Elas costumam se identificar com esta visão de longo prazo, quando baseiam as suas estratégias empresariais na sustentabilidade.
    Dada a diversidade de conceitos empregados e a relevância atual do tema, impulsionada pela dinâmica dos negócios e a expectativa dos investidores com relação à transparência e o valor dos impactos nos negócios, a gestão de riscos nas empresas tem sido tema de uma série de artigos publicados recentemente na mídia, tratando de seus aspectos teóricos e práticos. Entre elas, destaca-se a necessidade de padronização da terminologia aplicada nas organizações (Ver artigo: Descentralizar responsabilidades e padronizar comunicação são essenciais na gestão de risco).
    Antes de definir o perfil dos gestores de riscos, a empresa é desafiada a avaliar o seu próprio perfil de apetite ou tolerância ao risco. Portanto, deverá superar, com a estruturação de uma área de gestão de riscos, a avaliação dos fatores qualitativos, oferecidos por um mapeamento de seus riscos. O artigo do Professor Nelson Albuquerque é elucidativo e como podemos avaliar o nível de Apetite ao Risco em uma empresa.
    A preparação de equipes e profissionais especializados é o elemento que se destaca nos artigos de renomadas instituições como a Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP). Áreas tão distintas como os sistemas de transporte ou de saúde exigem o fortalecimento da cultura de gerenciamento de riscos profissionais e contribui para diminuição dos danos físicos e morais dos clientes ou pacientes, assim como mantém o equilíbrio financeiro das instituições e dos envolvidos nas cadeias de negócios. (Ver no artigo “A importância do gerenciamento de risco profissional das instituições de saúde”)

    Se os processos contemplam aspectos qualitativos dos riscos, como os exemplificados nas instituições de saúde, o desafio dos gestores de risco é encontrar e definir os mais ajustados modelos de avaliação quantitativa para as medidas qualificadas nos mapas de riscos. (Ver artigo: “Desafio: A mensuração dos riscos, o Conselho e Ministério Público”)
    Em se tratando de mensuração, o impacto dos efeitos de não se dar a relevância aos riscos emergentes e orgânicos tem se destacado frente à insegurança das operações em redes sociais e de empreendimento, no ciberespaço. (Ver o artigo: Riscos Cibernéticos são uma ameaça global)
    Este ambiente, baseado em redes virtuais que se organizam em plataformas da internet, exige dos profissionais de gestão de riscos intimidade com as tecnologias de informação, sejam com os seus aplicativos ou infraestrutura.

    Como o conceito e a cultura definem o risco, as suas interpretações também têm evoluído ao longo do tempo. Assim, as funções do gestor de riscos têm se ampliado do campo operacional para o nível estratégico.
    Um longo caminho vem sendo percorrido e, frente a estes riscos emergentes de impacto global, foi acelerado o processo de desenvolvimento dessa cultura nas empresas. Para suprir tal demanda, há atualmente uma oferta de programas de educação continuada para a formação de profissionais e equipes, capazes de enfrentar os desafios impostos por este ambiente fluido de negócios. (Ver em Programas de Especialização em Gestão de Riscos e Seguros)
    De outro modo, há também a necessidade de se promover o Networking entre os profissionais do mercado. Eventos como o XII Seminário de Gerência de Riscos e Seguros, promovido pela

    Associação Brasileira de Gerência de Riscos e Seguros (ABGR) é uma oportunidade dos profissionais atualizarem suas discussões sobre os temas mais relevantes neste mercado, que cada dia se apresenta desafiador e com amplas oportunidades.

    *Sérgio Luiz Hoeflich é Administrador com Habilitação em Comércio Exterior pela FIAA. Colaborou no planejamento e na gestão de logística, riscos e seguros em empresas como Penske, Tecninvest e OCASA. Doutorando no GAESI USP, desenvolve o planejamento de sistemas aplicados à Supply Chain Risk Management –(SCRM). É mestre em Engenharia Oceânica pela Coppe/UFRJ e possui MBA em Logística Empresarial pela FGV, com extensão na Manchester Business School (UK). Pesquisador, palestrante, articulista, consultor e professor em organizações e instituições de ensino, como Funenseg/ESNS, FGV In Company, Management e Cademp, UFRJ, SESCON/SP, FEMAR, ECEME, IBECORP.. Hoeflich é também coordenador do MBA em Gestão de Riscos e Seguros na ESNS Funenseg e da Rede de Profissionais em Gestão de Riscos (GRISCO®), do GT de Supply Chain da CEE da Norma ISO 31.000 (Gestão de Riscos), além de membro da Cátedra de Gerência de Risco da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e possui Certificação AIRM.

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